Fixações de câmbio são sempre uma questão de distribuição. Uma classe alta rica em ativos gosta de pares porque quer proteger o valor em dólares de seus ativos denominados em pesos. Isso acontece às custas de empregos, dos jovens e da classe trabalhadora. E no caso da Argentina, isso NUNCA funciona.
Jose Luis Daza
Jose Luis Daza4 de jan., 09:46
Conheço @robin_j_brooks como um economista sério há muitos anos. Mas seus comentários recentes sobre a Argentina me levaram a me manifestar. Até agora, evitei comentar nas postagens de Robin sobre a Argentina, pois a maioria continha poucas informações substanciais. No entanto, seu último post vai longe demais, pois revela um sério mal-entendido da realidade econômica da Argentina. A Argentina é uma das economias mais dolarizadas do mundo. Praticamente toda a riqueza é mantida em dólares, e o dólar serve como a principal unidade de conta para formas ilíquidas de riqueza mantidas no país O peso desempenha um papel muito limitado, quase exclusivamente para fins transacionais. Na verdade, a base monetária representa menos de 4,5% do PIB — uma das menores proporções globais. Os argentinos detêm aproximadamente USD 200 bilhões em notas físicas em cofres domésticos. Além disso, estima-se que detenham mais de USD 400 bilhões no exterior. Os setores mais ricos da sociedade são totalmente dolarizados: periodicamente convertem dólares em pesos apenas para cobrir as despesas diárias e praticamente não ocupam posições em pesos. Desvalorizações e desvalorizações do peso geram transferências massivas de riqueza dos trabalhadores assalariados para os ricos. Eles corróem os salários reais e aprofundam a pobreza entre os mais vulneráveis. Desvalorizações beneficiam enormemente os ricos em detrimento dos trabalhadores assalariados sem ativos. Robin, neste caso, sua interpretação está 100% errada. A realidade é exatamente o oposto do que você afirma.
A última frase do que escrevi acima é fundamental. Na história da Argentina nos últimos 30 anos, a fixação ao dólar NUNCA funcionou. Nem uma vez. Portanto, o peso sobre aqueles que argumentam que este tempo é diferente é enorme. Já ouvimos tudo isso muitas vezes antes e sempre terminava do mesmo jeito...
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