O principal desabafo dos adultos é, na verdade, usar os filhos para se salvarem. Hoje, no hotel, percebi essa verdade. Hoje passei o dia todo no hotel com as crianças. Não olhei muito o WeChat, não passei muito tempo no Twitter. Especialmente à noite, quando o hotel organizou uma atividade para pais e filhos, normalmente eu me comporto de maneira séria, mas sob a orientação do apresentador, me misturei com as crianças e pulei ao som da música. Naquele momento, percebi de repente que não estava apenas brincando com as crianças, mas que estava, sob o pretexto de estar com elas, proporcionando a mim mesmo um relaxamento mental. Os adultos de hoje vivem muito reprimidos. Todos os dias, ao abrir os olhos, é lidar com informações, pesar prós e contras, desempenhar papéis. O celular é nossa algema eletrônica, lembrando-nos constantemente de que ainda estamos no sistema. Queremos desabafar, mas o custo do desabafo para os adultos é muito alto. Ir ao KTV? Isso é socializar, é preciso manter a postura. Ir beber? Isso é um compromisso social, é preciso ter cuidado. Mesmo que você se esconda no carro para fumar um cigarro, isso é apenas uma pausa temporária, não um reinício. Por que digo que a atividade de hoje foi tão divertida? Porque só ao acompanhar as crianças na loucura, mesmo que você role no chão, grite ou faça caretas, as pessoas ao redor olharão com bondade, achando que você é um bom pai. Essa máscara de bom pai é o único passe livre para você tirar a máscara social. Chamo esse modelo de "usar os filhos para se salvar" (ou salvar as mães). Nesse modelo, não há KPI, não há hierarquia, não precisa de lógica coerente. Você não precisa nem mesmo buscar significado para a felicidade. Todos acham que estamos dedicando tempo e dinheiro aos filhos. Grande erro. Na atualidade, tão competitiva, as crianças são, na verdade, os "bodhisattvas" enviados por Deus para nos salvar. Elas, com sua vitalidade original, nos puxam para fora desse mundo adulto hipócrita, alienado e cheio de cálculos. Eu pulei até suar a cabeça, aquela dopamina há muito esquecida, tão pura. ...