Conhecimento não é sabedoria. E a sabedoria não surge de ser alimentado com fatos à primeira mão. Isso vem apenas da experiência. Os professores forçam a alimentar matemática, ciências, línguas, geografia e outros corpos de conteúdo obrigatório. Mas nenhum fatos pode substituir a experiência, especialmente o maravilhoso privilégio do fracasso. O joelho esfolado ensina mais do que o manual de segurança. O manuscrito rejeitado ensina mais do que o guia de escrita. O coração partido dói mais do que qualquer poema. As pessoas falam sobre IA como se ela pudesse alcançar o código-fonte da sabedoria. Mas não pode, porque não está vivo. Não sofre decepção. Sofrimento. Saudade. Ridículo. Pode imitar as palavras de quem já passou, mas erra o alvo da experiência. É um robô colando no papel do garoto assustado sentado ao lado dele, copiando as respostas sem nunca ter lutado com as perguntas. John Dewey escreveu que "existem apenas duas filosofias. Um deles aceita a vida e a experiência em toda sua incerteza, mistério, dúvida e meio conhecimento, e transforma essa experiência em si mesma para aprofundar e intensificar suas próprias qualidades — para imaginação e arte. Essa é a filosofia de Shakespeare e Keats." A segunda é a busca pela certeza. A IA assume seu papel com entusiasmo. Essa filosofia trata ambiguidade como defeito, mistério como ineficiência, dúvida como erro a ser corrigido. Busca conhecimento fixo e absoluto e busca a certeza por meio da abstração, construção de sistemas e resultados fixos. Quer a chave de respostas para a existência. Mas isso não é a vida. Esse é o desespero de Macbeth. É a vida como "uma sombra ambulante, um músico pobre que desfila e se preocupa sua hora no palco e depois não é mais ouvido... uma história contada por um idiota, cheia de barulho e fúria, que não significa nada." A busca pela certeza, levada até o fim, chega ao niilismo. Se o significado deve ser "provado", então nada significa nada. Há um motivo pelo qual Shakespeare nunca resolve as perguntas de Hamlet. Keats não explica a urna grega. Ele chamou isso de capacidade negativa para o conforto com ambiguidade; a capacidade de permanecer "em incertezas, mistérios, dúvidas, sem qualquer irritação que persiga os fatos e a razão." Tarantino nunca revela o que há dentro da maleta. Porque a vida não funciona assim. O mistério É o significado. A experiência humana não é sobre coletar todos os dados, conectá-los a um algoritmo e receber uma resposta. É sobre abraçar a incerteza. É viver dentro da pergunta. Uma máquina que imita a expressão humana não é humana justamente porque é programada, compelida a gerar uma resposta. Não pode ficar com silêncio. Não consegue dar de ombros. Ela não percebe que às vezes não há resposta. Ou que a ausência de uma resposta é o ponto em si. Só humanos podem valorizar isso. Só os vivos podem encontrar sabedoria em não saber.